Você não está desorganizada: sobrecarga mental e TDAH em mulheres com carreira
- Psicóloga Amanda Catuna

- há 13 minutos
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E, em alguns casos, o seu cérebro pode funcionar de forma diferente
Se você vive com a sensação de estar sempre apagando incêndios, esquecendo coisas importantes ou se sentindo atrasada, talvez já tenha pensado:
“Eu sou desorganizada.”
Mas, na prática, o que vejo com frequência em mulheres com carreira não é desorganização.É sobrecarga.
Sobrecarga mental, emocional e decisória.
Quando tudo parece bagunçado por dentro
Mulheres com carreira costumam funcionar em múltiplas frentes ao mesmo tempo.Trabalho, decisões, relações, expectativas externas e internas.
O cérebro entra em modo de sobrevivência.Ele passa a priorizar o urgente, não o importante.
Nesse estado, falhas de memória, procrastinação ou confusão mental não indicam incapacidade.São respostas de um sistema sobrecarregado.
E quando o cérebro funciona de forma diferente?
Em algumas mulheres, além da sobrecarga, existe um fator importante que costuma passar despercebido por anos: o funcionamento do cérebro em mulheres com TDAH e carreira.
Em mulheres adultas, o TDAH nem sempre aparece como hiperatividade visível.Ele pode se manifestar como:
dificuldade de priorizar tarefas
sensação constante de caos mental
hiperfoco em alguns temas e bloqueio em outros
esquecimento frequente, mesmo de coisas importantes
exaustão por precisar fazer “força extra” para se organizar
sentimento recorrente de inadequação
Não porque falta capacidade.Mas porque o cérebro opera com diferenças nas funções executivas, como planejamento, organização, início e finalização de tarefas.
Organização não resolve tudo quando o cérebro está exausto
Muitas mulheres tentam resolver isso com mais métodos, listas e aplicativos.
Mas quando há sobrecarga emocional ou um funcionamento neurológico diferente, mais ferramentas viram mais cobrança.
Antes de organização, é preciso:
reduzir o ruído mental
compreender como seu cérebro funciona
ajustar expectativas irreais
criar estratégias compatíveis com a sua realidade interna
Sem isso, qualquer sistema entra em colapso.
Psicoterapia e mentoria como caminhos de apoio
A psicoterapia ajuda a trabalhar a culpa, a ansiedade e a sensação de inadequação que muitas mulheres carregam por anos sem entender o porquê.
A mentoria pode apoiar na construção de estratégias práticas, organização de prioridades e decisões profissionais de forma mais realista e sustentável.
Em ambos os casos, o foco não é “consertar” você.É funcionar melhor com quem você é.
Um ponto importante antes de concluir
Este texto não é um diagnóstico.
Mas olhar para o funcionamento do seu cérebro, especialmente se você sempre se sentiu diferente, cansada ou inadequada apesar de competente, pode ser profundamente libertador.
Porque o problema, muitas vezes, não é quem você é.É tentar viver como se fosse outra pessoa.
Amanda Catuna
Psicóloga online | TCC & Psicologia Intercultural
Especialista em mulheres no exterior e no Brasil
Coautora de Psicologia Intercultural na Prática Clínica



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